• 22 de Agosto de 2017
MARUIM - HISTÓRIA

Maruim: Fonte de Cultura e História

 

* Por Keizer Santos

 

“(...) O Céu cheio de estrelas, parece mais brilhante, embora sinta falta das poucas constelações que conhecia”.

Adolphine Schramm, ao relatar sobre o Céu de Maruim a sua mãe, através da carta nº 3 de 25/12/1858 (FREITAS, 1991)

 

Maruim, pacata cidade, grande centro comercial de outrora, localiza-se a 30 Km de Aracaju, capital do Estado de Sergipe. Com uma população de aproximadamente 17 mil habitantes (Censo IBGE 2010), continua a ser um solo fértil de Cultura e História, porém não explorados por aqueles que deveriam, no mínimo, iniciar o processo de estimulação da sociedade.

Na língua indígena Tupi-guarani, a palavra Maruim significa mosca pequena ou mosquito. O Maruim é um inseto díptero, ou seja, de duas asas, da família dos Quironomídeos.

No século XIX, o transporte fluvial era o principal meio de locomoção. Muitas eram as pessoas que esperavam suas embarcações no “Porto das Redes”, antiga Alfândega de Sergipe, que se situava no sublime encontro das águas do rio Sergipe e do rio Ganhamoroba.

O lugarejo denominado Mombaça[1] começava então a ser povoado. De acordo com CASAL (1976) o entreposto apresentava um grande movimento e uma grande quantidade de caixas de açúcar em 1817, oriundas dos engenhos circunvizinhos e que de acordo com ALVES, FREITAS (2001 apud CARDOSO, 2008) seguiriam para Bahia, Pernambuco ou Rio de Janeiro.

Apesar do intenso movimento, os habitantes foram obrigados a deixar Mombaça, pois os mosquitos, que ali existiam em grande quantidade, eram os principais transmissores de doenças.

A povoação segundo ALMEIDA (1984 apud ROSA, 1999), foi transferida para a localidade mais acima, às margens do rio Ganhamoroba, onde já estava situado o antigo Engenho Maruim de Baixo do Sr. Manoel Rodrigues de Figueiredo.

A posição entre o rio e o interior, permitiu a Maruim, a instalação das mais importantes casas comerciais da Província. Fato este que, gerou destaque como centro urbano, comercial, político e social; favorecendo, mais tarde, a sua concessão de Vila precocemente, afirma ALMEIDA (1984).

CRUZ E SILVA (1994) afirma que no Engenho Maruim de Baixo, nas proximidades da Igreja São Vicente, foram construídas várias casas, com a permissão do Sr. Manoel Rodrigues de Figueiredo. O lugar oferecia mais conforto e melhores condições para o comércio e a agricultura.

Quando o português José Pinto de Carvalho, chega a Maruim, constrói um grande armazém, o trapiche, para negociar o açúcar em alta na localidade. Nasce então a desavença, pois o Sr. Manoel Rodrigues, sentia-se humilhado pelo português, que crescia nos seus negócios e em suas terras, destaca CRUZ E SILVA (1994).

Em 12 de junho de 1833, por intermédio do português José Pinto de Carvalho, as autoridades de Santo Amaro transferem a sede do município para Maruim. Mas, Manoel Rodrigues de Figueiredo não contente, representou, segundo AGUIAR (2004), contra o Conselho da Província, especialmente, José Pinto de Carvalho, seu vice-presidente, à Assembléia Legislativa do Império. Apesar dos incessantes protestos, em 19 de fevereiro de 1835 é oficializada a fundação, pela Câmara dos Deputados, da Vila[2] de Santo Amaro do Maroim.

Os santamarenses em polvorosa fúria destroem todos os móveis das repartições e obrigam os funcionários a voltar para Santo Amaro.

Em meio ao ano de 1835, após os protestos de Santo Amaro, Manoel Ribeiro da Silva Lisboa, Governador da Província, restitui a Santo Amaro a categoria de vila, tornando-se independente.

Maruim é elevada à categoria de cidade, devido a sua potencialidade na indústria açucareira, pela Lei Provincial nº 374, de 05 de maio de 1854. De acordo com CRUZ E SILVA (1994), no início do século XX, Maruim era o município de maior arrecadação, consequentemente, o maior gerador de receitas para a Província.

Segundo FREITAS (1991), Adolphine Schramm relata em carta destinada a sua mãe aspectos de Maruim em 1858, precisamente em 23 de dezembro.

Maruim é, no que se refere às casas, um local muito modesto. No entanto, há vida animada na cidade e existem cerca de 12 a 14 lojas bastante grandes, onde se podem fazer boas compras. A água do rio é salobra e, no verão, deve-se mandar apanhar água doce a uma distância de mais de uma hora.

 

No ano de 1859, a navegação a vapor começou entre Aracaju, Maruim e Laranjeiras, proporcionando mais uma ferramenta para impulsionar o comércio. A navegação possibilitou a visita, em 14 de janeiro de 1860, do imperador Dom Pedro II, da imperatriz Tereza Cristina e sua comitiva. A comitiva do imperador visitou diversos prédios públicos em Maruim.

Enfim, Maruim é uma fonte de cultura e história, com monumentos e personalidades que retratam uma beleza ímpar como a Igreja Matriz dos Passos (1862) e o Sr. João Gomes de Melo, o Barão de Maruim.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AGUIAR, Joel. Traços da História de Maroim. 2. ed. Edição comemorativa dos 150 anos de Maruim. Aracaju: Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe, 2004.

ALMEIDA, Maria da Glória S. de. Sergipe: fundamentos de uma economia dependente. Petrópolis: Vozes, 1984.

ALVES, Francisco José; FREITAS, I. (Ogs.). Verbete: Moruim. Dicionário da Província de Sergipe. São Cristóvão: Ed. UFS, Aracaju: Fundação Oviêdo Teixeira, 2001. In CARDOSO, Amâncio. Maruim: Patrimônio da Cotinguiba. Jornal da Cidade. Atualizada em 14 dez. 2008. Acesso em 23 set. 2009. Disponível em < http://www.jornaldacidade.net/noticia.php?id=21238>.

CASAL, Manuel Aires de. Corografia brasílica. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1976.

CRUZ E SILVA, Maria Lúcia Marques. Inventário Cultural de Maruim. Edição comemorativa aos 140 anos de Emancipação Política da cidade. Aracaju: Secretaria Especial de Cultura, 1994.

FREITAS, José Edgar da Mota (trad.). Cartas de Maruim. Aracaju: Núcleo de Cultura Alemã em Sergipe, UFS, 1991.

ROSA, Gilvan dos Santos. Maruim, coisas que ouvi dizer... 2. ed. rev. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação e do Desporto e Lazer, Sercore, 1999.

 

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*Jornalista



[1] Segundo CRUZ E SILVA (1994), tudo leva a crer que a denominação Mombaça, seja uma contribuição da colonização portuguesa.

[2] Vila é uma povoação de categoria superior a Termo e inferior a cidade.

 

 

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